No Evangelho de João, 5.1-15, está registrado algo notável que Jesus fez. Um homem enfermo por trinta e oito anos, de uma enfermidade que o deixava inválido, jazia à beira do tanque de Betesda. Havia muitos outros doentes ao lado do poço, porque eles acreditavam que, de tempos em tempos, um anjo descia e agitava as águas. Quando isso acontecia, a primeira pessoa a entrar na água ficava curada.
Jesus chegou até junto do enfermo e perguntou-lhe:
“Queres ser curado?” (V.6.) Ele queria, e Jesus o curou. Depois da cura, o homem pegou o leito onde havia estado por tanto tempo e saiu em direção à sua casa. Aqui poderia ter terminado essa maravilhosa história. Mas o escritor do evangelho acrescentou uma informação que explica a reação dos outros àquele milagre: “E aquele dia era sábado” (v.9).
Tão logo os líderes religiosos ficaram sabendo da cura, não se detiveram um instante sequer para se alegrarem. Nem agradeceram a Deus por ter realizado algo tão extraordinário no meio deles. Ao contrário, ficaram zangados. E disseram ao homem: “Hoje é sábado, e não te é licito carregar o leito” (v.10).
Era de esperar que aqueles líderes ficassem felizes de o homem ter sido curado, livre agora de trinta e oito anos de sofrimento. Mas porque a cura havia sido feita num dia santificado, o sábado, quando Deus havia determinado que não se trabalhasse, eles ficaram irados. Preferiram ver aquele homem enfermo e sem esperança pelo resto da vida a vê-lo receber a benção de Deus no seu dia santo.
A realização desse milagre foi mais uma prova da messianidade de Jesus. Mas seus detratores ignoraram aquela evidência. Viam apenas o radicalismo da atitude e incapacidade de Jesus de se enquadrar nos moldes deles mesmos.
Na época de Jesus, as instituições religiosas já tinham se tornado um complexo de regras e regulamentos, que escravizavam as pessoas, fazendo-as viver para trabalhar em vez de trabalhar para viver.
As regras, necessárias como diretrizes de vida, tinham-se transformado em cadeias. Os regulamentos tinham aprisionado de tal modo aqueles líderes, que eles já não se importavam mais com as necessidades das pessoas.
Há inúmeras pessoas escravizadas por
Jesus rompeu com esses costumes. Aos olhos deles Jesus havia cometido um dos piores pecados. Havia violado a lei do Sabath, e eles não podiam deixar passar em branco uma coisa dessas. Jesus tentou mostrar-lhes a diferença entre fazer bom uso das regras e abusar delas, entre ajudar as pessoas e escravizá-las, e aproveitou a ocasião para informar aos seus ouvintes do seu relacionamento exclusivo com o Pai.
Isto nos mostra outra faceta do estilo de liderança de Jesus. Quando ele via que era preciso que algum bem fosse feito, não parava para perguntar: “Que dia é hoje?” O enfermo precisava ser curado. Jesus colocou a compaixão e a misericórdia na frente das leis.
Alguém, certa vez, expressou isso da seguinte forma:
“Jesus amava as pessoas e usava as coisas, mas os líderes religiosos amavam as coisas e usavam as pessoas. Esse incidente não foi criado para estimular as pessoas a desobedecerem as leis constantemente ou para ficarem contra o “sistema”. Pelo contrário, o que Jesus queria era mostrar muito claramente que as pessoas tem prioridade sobre os regulamentos.

